Técnicas Cirúrgicas
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As cirurgias diferenciam-se pelo mecanismo de funcionamento. Existem três procedimentos básicos da cirurgia bariátrica e metabólica que podem ser feitos por abordagem aberta ou por videolaparoscopia (menos invasiva e mais confortável ao paciente):

I. Restritivos – que diminuem a quantidade de alimentos que o estômago é capaz de comportar.

II. Disabsortivos – que reduzem a capacidade de absorção do intestino.

III. Técnicas mistas – com pequeno grau de restrição e desvio curto do intestino com discreta má absorção de alimentos.

 

 

CIRURGIA LAPAROSCÓPICA


Minimamente invasiva e aplicável em todas as técnicas cirúrgicas, a videolaparoscopia representa uma das maiores evoluções tecnológicas da medicina. No tratamento da obesidade as cirurgias laparoscópicas se diferenciam da convencional aberta (laparotomia) em função do acesso utilizado.

Na cirurgia aberta, o médico precisa fazer um corte de aproximadamente 20 centímetros no abdômen do paciente. Na videolaparoscopia são feitas de cinco a sete mini-incisões de 0,5 a 1,2 centímetros cada uma por onde passam as cânulas e a câmera de vídeo.

Das quase 60 mil cirurgias bariátricas realizadas em 2010 no Brasil, 35% foram feitas via videolaparoscopia. A taxa de mortalidade média é de apenas 0,23% – abaixo do índice de 1% estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) –, contra 0,8% a 1% da cirurgia aberta (laparotomia).

Vale lembrar que, em algumas situações, o cirurgião precisa converter a videolaparoscopia em cirurgia aberta. Essa decisão é baseada em critérios de segurança e só pode ser tomada durante o ato operatório.

 

 

 

 

São aprovadas no Brasil quatro modalidades diferentes de cirurgia bariátrica e metabólica (além do balão intragástrico que não é considerado cirúrgico):

 

I. Bypass gástrico (gastroplastia com desvio intestinal em “Y de Roux”)

 

Estudado desde a década de 60 o bypass gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil. Devido a sua segurança e eficácia corresponde a 75% das cirurgias realizadas no país. O paciente submetido a essa cirurgia perde em média de 40% a 45% do peso inicial.

Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento de parte do estômago que reduz o espaço para o alimento e um desvio do intestino inicial que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento além de controlar o diabetes e outras doenças como a hipertensão arterial.

Uma curiosidade: a costura do intestino que foi desviado fica com formato parecido com a letra Y, daí a origem do nome. Roux é o sobrenome do cirurgião que criou a técnica.

 

 II. Gastrectomia vertical 

 

Nesse procedimento o estômago é transformado em um tubo com capacidade de 80 a 100 mililitros (ml). Essa intervenção provoca perda de peso comparável à do bypass gástrico e maior que a proporcionada pela banda gástrica ajustável.  É um procedimento relativamente novo, praticado desde o início dos anos 2000. Tem boa eficácia sobre o controle da hipertensão e de doenças associadas (semelhante ao Bypass Gástrico).

 

III. Duodenal Switch

 

É a associação entre gastrectomia vertical e desvio intestinal. Nessa cirurgia 85% do estômago são retirados, porém, a anatomia básica do órgão e sua fisiologia de esvaziamento são mantidas. O desvio intestinal reduz a absorção dos nutrientes levando ao emagrecimento. Criada em 1978, a técnica corresponde a 5% dos procedimentos e leva à perda de 40% a 50% do peso inicial.

 

 

IV. Terapia auxiliar - Balão intragástrico

Reconhecido como terapia auxiliar para preparo pré-operatório, trata-se de um procedimento não cirúrgico realizado por endoscopia para o implante de uma prótese de silicone visando diminuir a capacidade gástrica e provocar saciedade. O balão é preenchido com 500 ml do líquido e azul de metileno, que, em caso de vazamento ou rompimento será expelido na cor azul pela urina.

O paciente fica com o balão por um período médio de seis meses. É indicado para pacientes com sobrepeso ou no pré-operatório de pacientes com superobesidade (IMC acima de 50 kg/m2).

 

 

 

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

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